O suposto pretexto de preservação do ambiente mascara a brutal segregação entre pobres e ricos --ainda que de maneira pobre àqueles que têm um olhar social mais apurado. São R$ 40 milhões em muros.
O Saramago não viaja quando compara a situação a da Palestina. Porque as favelas são sim, a nossa Palestina, ligeiramente adaptada à nossa cultura, é claro. E não apenas as favelas do Rio, que fazem os ricos de Rolex de lá terem diarréia só porque estão muito perto: as favelas do Brasil inteiro --a diferença é que, em um plano nacional, isto é, nos principais conglomerados urbanos exceto o Rio, elas estão mais afastadas dos bairros centrais, portanto, não estão a olho nu. Mas elas estão em todas as cidades.
Não precisa ser muito esperto ou muito populista para sacar que esses quarenta milhões de reais poderiam ser investidos em melhorias para essa população e, por consequencia, para o próprio ambiente.
De qualquer forma, é um dinheiro que vai pros anéis de Saturno e para a draconiana guerra social que os abastados brasileiros insistem em alimentar.
Aposto que os traficantes, na primeira oportunidade que tiverem, vão estourar esses blocos de insensatez, pura e simples insensatez, rebocada de concreto.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
O Muro das Favelas no Rio de Janeiro
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