sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sobre o motivo

Por que criar um blog, em meio a tantas palavras e tantos pensamentos rotos, aleatórios, conteúdos sem qualquer interesse ou fundamento? O que eu quero? É uma pergunta oceânica, esse lance de querer, porque, diferentemente de como nos ensinaram, nem sempre é poder, embora, na maioria das vezes, seja. E assim vamos indo, e assim vamos indo.

Não desejo nenhuma projeção intelectual, moral, psicológica. Tampouco acho que mereça congratulações e reconhecimento pelo alter-ego internáutico, supervalorizado nessa era.

Mas a minha desfaçatez e crítica não são, exatamente, em relação ao espírito contemporâneo, apenas. Desde que matamos Deus, desejamos ser alguma coisa. Não apenas estar no mundo, contudo; não basta. Fazemos passeatas, seguimos correntes, destruímos tudo isso, almejamos cargos, superpovoamos o mundo. E precisamos deixar alguma coisa, ainda que saibamos, brevemente, que isso, no final das contas, não valerá porra nenhuma. Repito: porra nenhuma. Ainda assim, nos iludimos na etérea promessa de que temos que deixar qualquer tipo de chancela existencial. Porque, nesse momento, somos semideuses em busca de reflexos perfeitos, entre aquilo que Kundera ponderara como kitsch --a estação intermediária entre o Ser e o Esquecimento. E isso, embora tenha todas as tonalidades de imbecilidade, nas nuances mais densas ou nas mais diluídas, é humano. Demasiado humano.

Eu quero tecer reflexões. Quero analisar a minha vida e o mundo. Sempre fui assim, só me faltava um pouco de espaço, e isso, durante um tempo, foi sufocante. Foi uma autoflagelação indigna. Mas aí. Estou de volta. Olhando para mim mesma, e buscando meu reflexo que, tanto sei como assumo, é imperfeição.

Se não deu pra sacar, prometo que, volta e meia, postarei figurinhas.

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